Arbetsförmedlingen e eu

Fonte: Google

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Em primeiro de novembro de 2013 eu entrei para o grupo dos arbetslös, ou em bom português: desempregados. Como manda a lei sueca, já no primeiro dia como desempregado, eu assim como todo o trabalhador deve se dirigir ao Arbetsförmedlingen (AF) e fazer o seu registro como arbetssökande (à procura de emprego) para poder ter direito ao seguro-desemprego e todos os benefícios que o estado dá ao cidadão.

Para se ter direito aos bidrags (bolsas, seguro-desemprego e afins) é necessário seguir algumas exigências:

  1. Reportar-se como arbetssökande já a partir do primeiro dia como desempregado;
  2. Seguir o passo-a-passo do handlingsplan (plano de ação) fornecido por seu handläggare (responsável pelo seu caso);betsförmedlingen
  3. Procurar emprego regularmente, mantendo-se ativo no envio de CV e contato com RH das empresas;
  4. Preencher o aktivitetsrapport (relatório de atividades), mostrando o que você fez durante o mês na procura de emprego. Este relatório deve ser enviado ao seu handläggare mensalmente entre os dia 1 e 14;
  5. Atender à reunião via telefone dias após do envio do relatório para discutir as informações reportadas e dificuldades encontradas durante o período;
  6. Procurar emprego 24 horas por dia, 7 dias na semana, porque dormir é para os fracos.

Eu segui todos os passos, ponto por ponto, tendo uma média de 20 emprego procurados por mês, enviando currículuns via net, contatos ou pessoalmente porém só tive respostas negativas. Saco!!! 😦

O problema, é que toda a minha experiência profissional é do Brasil, mas eles só consideram a experiência que você tem aqui, seja na Suécia ou na Europa. É difícil convencê-los que se eu não tiver a primeira chance eu também nunca terei a bendita experiência. Qual a saída??? Pratik, ou seja, estágio.

Para conseguir o bendito estágio, é necessário que eu esteja fazendo algum curso ou consiga convencer alguma empresa a me dar a chance de trabalhar de graça. Fala sério, para quem está duro trabalhar de graça não é uma boa opção, embora em muitos casos um estágio pode ser também um meio caminho ao tão sonhado emprego. Teóricamente, estas mesmas vagas de estágio deveriam ser diponibilizadas pelo AF, mas na prática é quem está à procura de emprego quem tem que arrumá-las. Depois, se encaminha até o AF para preenchimento de toda a papelada burocrática para o mesmo. Facilitar para quê se eles podem te atrapalhar???

Durante o estágio, mesmo que não remunerado antes era possísel receber uma ajuda de custo pelo AF para pagar passagens e coisas do tipo. Hoje em dia, este bidrag já não existe mais. Creio que devido à algumas empresas picaretas que viam nos estagiários a chance de terem funcionários trabalhando como escravos para mostrar servico enquanto eles cortavam custos de mão-de-obra, e ao final dos 3 meses a galera é simplesmente substituída e a vida continua. Eu mesma cheguei a denunciar uma empresa ao AF devido à esta prática que apesar de ser “legal” aos olhos da lei, era uma falta de respeito com os aspirantes às vagas.

Uma outra dificuldade que eu tenho, e não nego, é uma deficiência da língua sueca. Eu tinha a idéia de aproveitar este período de desempregada para poder estudar um pouco e claro, ter mais seguranca na busca de uma nova oportunidade de trabalho, porém, fui informada que caso me inscrevesse em qualquer que fosse o curso perderia o meu seguro desemprego, seguro pelo qual eu pago mensalmente o meu A-kassa – que é uma espécie de sindicato da categoria – mas nada feito. Como disse anteriormente, a pessoa que está a procura de emprego tem que se esforçar 24 horas por dia, 7 dias por semana, nada de estudar à noite, horas vagas ou finais de semana.Eu ainda pensei em perguntar o que aconteceria se eu dormisse neste período, mas vai que eles resolvem que não é correto perder tempo dormindo e cortam o meu benefício???

Enfim, na minha procura por uma nova oportunidade de trabalho, checando o site do AF, descobri que eles ofereciam uns cursos de reciclagens que poderiam ser bastante interessantes e fui checar mais a fundo. Encontrei um curso de Administração de Empresa na Eductus, aqui em Lidköping, que seria perfeito além de encaminhar para um estágio no final. Escrevi um e-mail para a minha handläggare e descobri que eu não teria direito à vaga por ter apenas 4 meses de desempregada. Para ter a chance à qualificação, é preciso que eu esteja à pelo menos 9 meses fora do mercado. Fui até a escola, perguntei se teria a possibilidade de pagar pelo curso eu mesma, mas sem chance. Como pode uma pessoa desempregada pagar por um curso tão caro? No way, até porquê daria o que falar se eu fizesse isso.

Outro detalhe básico, é que com a mudanca das normas de atendimento do AF no ano passado, agora além da exigência do relatório de atividades mensal, até os 4 meses de desemprego todos os contatos com o AF são feitos única e exclusivamente por telefone. Em outras palavras, como é que eles esperam um resultado eficaz no suporte aos desempregados se eles sequer sabem que você é??? É muito mais fácil uma recolocação imediata, assim que se é demitido doque após 4 ou 9 meses em casa. Infelizmente este não é o jeito burocrático de pansar sueco.

Finalmente em meados de março, 4 dias antes de retornar ao trabalho – mais precisamente ao Piperska para uma nova temporada – eu fui chamada para um encontro tete-à-tete com minha handeläggare. Sabia que iria jogar o meu tempo fora, mas o que fazer??? Vamos ao encontro! Uma mocinha com seus 20 aninhos, recém saída da escola me atende com um sorriso enorme, pelo menos era bem simpática. Ela me perguntou das minhas dificuldades e necessidades e no que poderia me ajudar. Quando expus para ela minha idéias sobre o curso, praktik e tal a bichinha ficou toda sem graça mas me disse que não poderia me ajudar em muita coisa. Daí eu agradeci e disse que não precisaria mais do AF mesmo, como nunca precisei, afinal toda a ajuda que eu pedi durantes vários anos sempre foi negadas. Avisei que na segunda feira seguinte estaria de volta ao trabalho e ela me disse que poderia me ajudar pelo menos comunicando direto ao A-kassa do meu retorno na segunda seguinte. Que bom, pelo menos não precisaria me preocupar com isso.

Duas semanas depois, recebo uma carta do AF informando que eu havia sido removida do cadastro de arbetssökande à partir da terca-feira. Porra, a única coisa que a infeliz fez para mim e fez erradoooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooo!!!!!! Agora eu tenho uma puta papelada para preencher para enviar para o A-kassa e para o AF para resolver a cagada dela, ou depois serei eu a punida por ter informado errôneamente, já que eles podem alegar que eu tentei receber um dia a mais de seguro sem ter direito, é mole??????????????

Dai-me paciência!!!

Mas enfim, estou de volta ao trabalho depois de 4 meses de féria forçadas, voltando à rotina diária, ao salário no final do mês e tudo mais. Melhor do que isto, só se eu tivesse conseguido um emprego 100% como se diz por aqui ao invés dos meus 65-75%, mas é melhor do que nada!

Bem, por agora era o que eu tinha para fofocar, depois eu volto com mais histórias das terras geladas.

Kram och puss 😉

 

 

 

 

3 ideias sobre “Arbetsförmedlingen e eu

  1. SunLight

    Karine,
    Todo esse caminho em busca de trabalho que vc viveu, é comum em outros países. Já passei por situação semelhante. Tb tentei que me deixassem pagar uma formação oferecida, mas não deixaram. Eu tinha formação a mais, só q o mais intrigante é q não dão equivalência a toda a minha formação. Contraditório, mas é assim mesmo.
    Qdo lembro os primeiros tempos qdo deixei o Brasil e trouxe a carteira de trabalho… simmm, aquela carteira azul. hahahaha De nada serviu aqui, nem há nada semelhante aquela carteira onde vivo. hehehe E, nem sei mais onde coloquei-a.:/

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    1. karinebackman Autor do post

      A minha carteira de trabalho ficou no Brasil mesmo, mas nem sei onde.
      É complicado, o pessoal reclama dos imigrantes mas não nos ajudam a entrar no mercado mesmo tendo experiência e formcão suficiente para tal, preferem oferecer os famosos bidrags e ajudas de custo. Estou comecando a achar que é para terem motivos para reclamarem de nós, só pode!

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  2. bebis.ray

    Olha, eu tipo que cansei do AF. Meu antigo handläggare era todo atrapalhado. Ele sabe que meu sueco não é 100% ainda e que não quero trabalhar na hora que me formei e nem com limpeza, pq eu simplesmente não darei conta, mas vira e mexe ele me mandava anuncios com vagas na area de limpeza, o pior foi quando ele me mandou um anuncio para trabalhar na china e na Suécia, que deveria ter disponibilidade para viajar, falar mandarim fluente e ter experiencia na area de Publcidade… caramba… adivinha? Não preencho nenhum dos requisitos! O que leva aquele ser humano fazer isso?
    Os 2 praktiks que eu fiz e o sommarjobb que eu tive foram graças aos meus contatos, porque se dependesse do plano que meu handläggare tinha para mim, eu ia estar fu…
    Bom, decidi apenas estudar no momento, focar no sueco p ter mais chances de conseguir um bom emprego, dai fui até o AF e pedi para sair, mas me convenceram a continuar nem que fosse como “inativa”, se eu não me engano, porque ai tenho direito ao “anställningsstöd” caso consiga um job nesse período de estudo.

    Eu só acho que o AF deveria mudar seu sistema. Acho que 90% da galera que vai la esta insatisfeita. Seja suecos ou imigrantes.

    Dor de cabeça, neh? Rs…

    Beijinhos

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