Eu não sou Charlie – Je ne suis pas Charlie!

Pode soar estranho para alguns, mas eu sou contra o jornal Charlie Hebdo. Não consigo entender qual a finalidade das charges publicadas por este veículo de comunicação onde o único intento é ferir pessoas, religiões e honra daqueles que são diferentes. Não sou à favor do massacre ocorrido no último dia 7, onde 12 pessoas foram assassinadas, ou no dia 8 onde uma policial foi assassinada à sangue frio nas ruas de Paris, muito menos à favor das 5 vítimas assassinadas na loja de produtos judeus no dia 9. Entendam, sou totalmente contra esta violência praticada pelos terroristas, e pela violência em geral. E pensar que, desde menina, sempre tive o desejo de ser jornalista. Cheguei a tentar uma vaga na Unicamp em 2003, mas confesso não fui boa o suficiente para garantir um lugar em um dos vestibulares mais disputados do país. Por este motivo, eu tenho vergonha do trabalho realizado por este “folhetim”.

Em um país como a França, que tem como lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade, o que o Charlie Hebdo tem feito é exatamente um des-servico ao Estado. Com seu trabalho, tem pregado a discórdia gratuita a xenofobia pelo simples fato de atiçarem a populacão à impor a sua cultura sobre uma minoria mussulmana e de outras etinias do país.

Logo população mundial começou a se manifestar á favor dos cartunistas assassinados, saindo em protestos levantando canetas e lápis no lugar de bandeiras como forma de demonstrar o seu apoio aos mesmos. No último domingo, dia 11, uma enorme manifestação com em torno de 3,5 milhões de manifestantes saíram pelas ruas de Paris para protestar contra o ataque terrorista na França, aqui em Estocolmo, 3.000 pessoas se reuniram em apoio segundo os jornais DN.SE e The Local. O que me assusta é o fato de ninguém, em momento algum, questionar o porquê daquilo tudo? o porquê do massacre? Esta não foi a primeira vez em que o jornal foi atacado, por acaso pelo mesmo motivo, e tenho a certeza que não será a última.

Aqui na Suécia, por exemplo, várias mesquitas vem sendo atacadas por vândalos e extremistas com bombas e sendo incendiadas. Um país conhecidamente calmo e pacífico também está mostrando a sua face negra e vil à sociedade. O fato é que não podemos generalizar. Mussulmano não é terrorista, haja vista, Ahmed Marebet, o policial que foi morto em frente ao Charlie Hebdo logo após o ataque, protegendo justamente àqueles que ofendiam profundamente à sua religião. Terrorista é terrorista, é mal e ponto final.

Ninguém gosta de ser ofendido, atacado e humilhado por sua opção religiosa, sexual, política ou simplesmente pela cor de sua pele, tudo em nome da liberdade de expressão, liberdade de imprensa, mas e quanto à liberdade do culto religioso? A liberdade indivudual, onde está? Lembro-me de quando criança sempre ouvi que a minha liberdade ía até onde começava a liberdade do outro, e este foi um ensinamento que aprendi e carrego comigo.

Existem diversas maneiras de se praticar o jornalismo, divulgar uma notícia, inclusive divulgar um humor inteligente, até mesmo de cunho político sem que se ofenda a pessoa, o ser humano como já fazia o Pasquim durante o governo militar. Uma forma humorada de se dizer a verdade, questionar e cobrar o direito de liberdade que era bem coibido naquela época.

Eu pensei algumas vezes se escreveria ou não minha opinião quanto ao atentado, e estava inclusive aguardado a prometida capa da nova edição do Charlie Hebdo, cuja tiragem prometida será de 3 milhões de exemplares, para ter uma idéia do que está por vir. Confesso que depois de vê-la aqui estou esperando por uma ação ainda maior contra o jornal.

Gostaria de deixar uma amostra do “humor” praticado pelas charges de mal gosto do jornal. Em respeito à religião mussulmana que em seus preceitos diz que O Profeta Mohamed não deve ser retratado, e para evitar maiores problemas, não colocarei nenhuma das imagens do mesmo, porém, como católica, também me sinto muito ofendida pela imagem à seguir. Não deveria exibí-la, mas para demonstrar meu desgosto e para que as pessoas possam formar sua própria opinião à respeito do problema e não apenas colocar hashtags e cartazes em suas redes sociais para seguir a modinha, aí vai.

Foto de reproducão do Jornal Charlie Hebdo

Foto de reproducão do Jornal Charlie Hebdo

Por fim, queria compartilhar o link de um texto interessante sobre o assunto que encontrei na rede, datado de 8 de janeiro.

Por El Rafo Saldaña – Je ne suis pa Charlie

Uma ideia sobre “Eu não sou Charlie – Je ne suis pas Charlie!

  1. SiL

    Oi Marine!
    Parabéns! VC é corajosa!
    Penso igualmente. Qual a função daquele jornal dentro da sociedade? Só se for mostrar os pensamentos mais podres que há dentro do ser humano, e assim ganhar dinheiro em cima daqueles q vão atrás da Maria, e não refletem.
    Aqueles q saíram em defesa do jornal dizem defender a liberdade de expressão. Liberdade ou libertinagem?
    Há quem diga.. Ah mais eles faziam o mesmo com cristãos, judeus, presidentes…… Continuo a perguntar para que? Já vi muitas Charles com mesma abordagem de temas, mas sem chocar, sem ferir.
    Força!
    Bjs
    SiL
    O miau do leão

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    Resposta

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